Os Grandes sistemas da Filosofia Antiga - Pt 1
- setembro 04, 2017
- By Ivan Sousa
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Platão é o grande discÃpulo de Sócrates. No entanto, esse pensador eleva-se acima de seu mestre e, sem dúvida nenhuma, torna-se o mais importante filósofo da Grécia Antiga. Segundo Reale (1994, p. 7), "Platão constitui o vértice mais alto atingido pelo pensamento antigo". Considerado o filósofo mais estudado de toda a história da Filosofia, Platão, de um século para cá, é o filósofo mais interpretado do mundo antigo. Sua influência é sentida em Aristóteles, no perÃodo helenista, no Império Romano, na patrÃstica cristã, no renascimento e no idealismo alemão. Temos, então, de concordar com Whitehead (apud REALE, 1994), que menciona que, após Platão, a Filosofia Ocidental não passa de uma nota de rodapé da sua Filosofia. Sua concepção dualÃstica (ontoteologia) reina soberanamente durante toda a história do pensamento Ocidental. Em Platão, estão quase todas as discussões propostas pelos filósofos posteriores. Ele conseguiu, em seu sistema, encaixar todas as discussões mais relevantes da Filosofia, tais como: conhecimento, educação, polÃtica, ética, estética, metafÃsica, moral, linguagem etc. Todas essas questões foram tratadas por Platão em seus diálogos.
Platão possuÃa uma educação vasta e tinha um grande talento literário. Estudou a poesia de Homero e era profundo conhecedor de toda a cultura e Filosofia grega. Esse pensador escreveu sua Filosofia numa enormidade de obras em forma de diálogos, e quase tudo chegou até nós. Isso facilitou o seu estudo e a nossa compreensão unitária de seu pensamento. A sua Filosofia revela diferentes faces e interpretações; todavia, para uma compreensão melhor e mais Ãntegra, deve ser contemplada no seu conjunto, tal como a Alegoria da Caverna, que representa a sÃntese de toda Filosofia Platônica. Como introdução ao seu pensamento, não há outro escrito mais interessante que essa sua célebre Alegoria, que representa, como já mencionamos, de uma forma sintética, incrÃvel, todo o seu pensamento. Acompanhe essa formulação, que é uma das mais incrÃveis da Filosofia de todos os tempos:
PRISIONEIROS DA ILUSÃO
Suponha que prisioneiros estão acorrentados no fundo de uma caverna. Eles contemplam a parede e não podem virar a cabeça. Sombras vacilantes projetam-se na parede, e como é só isso que podem ver, tomam-nas pela realidade.
Depois um prisioneiro é libertado (...) e levado embora. Levam-no à verdadeira fonte das sombras: há uma fogueira atrás dos prisioneiros e diante delas pessoas carregam vários objetos de um lado para o outro. Quando seus olhos se acomodam à luz, o prisioneiro começa a ver como foi enganado. O que tomara por objetos reais eram sombras projetadas por eles, que estavam escondidos de sua vista.
O prisioneiro é levado mais para cima, chegando finalmente ao mundo externo. Ali, se defronta com o sol. Novamente fica cegado pela luz, mas por fim reconhece que o sol é basicamente o que tudo governa. E é a verdadeira fonte de tudo à sua volta. Em seguida ele é levado de volta às profundezas da caverna.
SABEDORIA REJEITADA
Como seus olhos estão acostumados à luz brilhante do sol, ele agora tropeça e se esforça para enxergar. Quando tenta explicar aos outros prisioneiros como foram enganados, estes o evitam. Vêem-no tropeçar e ensinam que é ele que está cego. Continuam convencidos do que seus sentidos parecem lhes mostrar: o jogo de sombras na parede da caverna. Permanece, seduzidos pela ilusão de realidade e consideram tolo o único sábio em seu meio.
(...)
Como Sócrates nos diálogos de Platão, o prisioneiro descobre a natureza lusória do que normalmente consideramos realidade e tenta ajudar outros a descobrir a verdade. Mas o resultado é que os prisioneiros zombam dele e continuam atados à sua ilusão (LAW, 2008, p. 79).
Na Alegoria, não é difÃcil reconhecer interpretações, tais como a ontológica, a gnosiológica, a ética, a pedagógica, a polÃtica etc.
Essas interpretações, sem dúvida, não podem substituir a profunda especulação sobre a Filosofia Platônica, todavia, fornecem preciosos frutos para o aprofundamento que iremos desenvolver ao longo de nosso estudo.
Cabe ressaltar aqui, ainda, que Platão redireciona nosso olhar para um novo âmbito do conhecimento. Ele nos ensina que o que vemos são sombras e que o mundo que tomamos como real, na verdade, é uma cópia imperfeita da realidade suprassensÃvel. A Alegoria da Caverna é esclarecedora nesse sentido. Os homens acorrentados na caverna somos nós, e a caverna é o mundo em que estamos presos. O mundo exterior à caverna representa o mundo real, o mundo das ideias eternas, e o Sol, que ilumina todas as coisas fora da caverna, representa a ideia do bem, de onde todas as outras ideias recebem seu ser. Portanto, cabe ao homem deixar as aparências com as quais estava acostumado e realizar uma "segunda navegação". Ao sair da caverna, os olhos têm dificuldade para observar a realidade devido à claridade que o Sol impõe ao mundo. Entretanto, aos poucos, o prisioneiro vai acostumando-se com o ambiente; primeiro, consegue olhar para os objetos durante a noite; depois, para o reflexo na água, e assim sucessivamente, até que consiga contemplar o Sol que ilumina tudo e que mantém todas as coisas existindo. Esse caminho de dificuldades do prisioneiro representa claramente o processo do conhecimento, que vai sendo adquirido de modo gradual, conforme uma escala dialética que tem o bem como fim último a ser alcançado.
Como já havÃamos comentado, o pensamento de Platão reúne as influências inegáveis de Parmênides e Heráclito. Ele resolve, com sua Teoria das Ideias, a questão da imutabilidade versus o devir. O devir é relacionado por Platão com mundo visÃvel, e a imutabilidade é relacionada com o inteligÃvel. Essa cisão representa o nascimento da metafÃsica clássica, que exercerá uma enorme influência, principalmente, nas Filosofias Cristãs.
Em outros posts você terá a oportunidade de aprofundar as temáticas da Filosofia Platônica, que necessita de uma profunda reflexão e dedicação. Agora, passaremos a postar sobre da Filosofia de Aristóteles, outro grande representante da Filosofia Clássica.




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