A Filosofia da Grécia Antiga - Parte 1



A Filosofia da Grécia Antiga nasceu há, aproximadamente, 2500 anos e durou em torno de dez séculos. Ela possuía um caráter peculiar e leis próprias que criaram um novo clima espiritual e cultural no qual o Sol e a luz eram seus permanentes acompanhantes. Graças a Prometeu, o fogo de Olímpico tornou-se posse dos humanos; graças à Filosofia, o espírito humano abandonou o terreno do sobrenatural, superou a hegemonia da Mitologia e começou o processo de cultivo do pensamento, que, a partir de então, seguirá, rigorosamente, o logos.


O desenvolvimento do pensamento filosófico antigo estabelece-se, relativamente, durante quatro períodos principais, os quais descreveremos a seguir.


O primeiro período abrange a época que vai do século 6º a.C. até a primeira metade do século 5º a.C., praticamente coincidindo com a formação da sociedade escravista da Grécia Antiga. Destacam-se, nesse período, dois centros principais do pensamento filosófico: o Oriental, localizado na Jônia (Ásia Menor), e o Ocidental, localizado na assim chamada Magna Grécia (Itália do Sul e Sicília). No Oriente, as pólis Mileto e Éfeso possuem importância histórica, sendo consideradas o berço do pensamento filosófico europeu. Em Mileto, trabalham o primeiro filósofo, Tales, e os seus sucessores, Anaximandro e Anaxímeno. Já em Éfeso, trabalha o célebre Heráclito. As suas concepções são, frequentemente, classificadas como Filosofia Jônica. Na Magna Grécia, concentram-se duas Escolas filosóficas: a Escola Pitagórica e a Escola Eleata. As suas concepções apresentam a assim chamada Filosofia Itálica.


O segundo período abrange a segunda metade do século 5º a.C. e o século 4º a.C., quando, após as Guerras Greco-persas (500-449 a.C.), começa um período relativamente pacífico na vida das pólis gregas, dentre as quais, cabe destacar Atenas. Nessa época, durante um século e meio, firma-se o apogeu da sociedade escravista e desenvolve-se a Filosofia Clássica, representada por algumas tendências fundamentais.


A Filosofia da Natureza continua os elementos positivos da direção dada pelos filósofos jônicos e consegue elevar a um grau maior o materialismo filosófico. Aderem a essa ramificação materialista do pensamento filosófico filósofos como Empédocles, Anaxágoras, Leucipo e Demócrito. Vale ressaltar que, como uma das principais correntes do pensamento filosófico, se estabelece a tendência antropológica, a qual, em torno do seu núcleo teórico, desenvolve a problemática ética, dialética, gnosiológica e retórica, bem como a Filosofia Política. Entre essas correntes, cabe destacar o platonismo, que consegue unir as tendências naturalistas e antropológicas, além de oferecer o primeiro sistema de idealismo objetivo. O Aristotelismo, por sua vez, sintetiza a experiência científica do mundo antigo e impõe-se como o sistema filosófico mais universal da Antiguidade.


O terceiro período do pensamento filosófico da Antiguidade é o período helenístico, que vai do século 3º a.C. ao século 1º a.C. e que está intimamente ligado à hegemonia de  Alexandre, o Grande, ao seu Império e, também, ao processo de dissolução da pólis grega. Nesse período, criam-se novas formas de vida econômica, fundam-se novas cidades e metrópoles, aumenta-se o interesse em torno das ciências naturais etc. A diferenciação do conteúdo filosófico leva à definição de três áreas principais da investigação filosófica: a Física, a lógica e a ética. Além disso, surgem Escolas ligadas aos sistemas filosóficos anteriores, bem como outras que dão nova direção ao pensamento filosófico, a saber:


1) A Academia platônica, que continua a tendência objetivo-idealista do platonismo por meio de uma avaliação mais consistente de outras tendências filosóficas.
2) O Liceu, que afirma a Filosofia Aristotélica e desenvolve diversos problemas do conhecimento científico.
3) O epicurismo, que dá continuidade à doutrina atomista fundada por Leucipo e Demócrito, enriquecendo o seu conteúdo com questões de cunho gnosiológico e, especialmente, moral.
4) O estoicismo, que surge como um novo sistema filosófico que, a partir daí, terá uma importância significativa na formação das mundividências helenística e, mais tarde, romana.
5) O ceticismo, que impõe uma nova orientação teórica ao pensamento filosófico, introduzindo nele alguns princípios novos.


O quarto período principal é o período romano, também chamado de Antiguidade Tardia. Nele, transforma-se a tendência estratégica do pensamento filosófico. Num primeiro plano, aparecem os problemas da ética e da Filosofia Política com a retórica e a dialética. Um fator importantíssimo para a determinação da tendência magistral da Filosofia é, nesse período, o cristianismo. Contudo, penetram ideias do Oriente que aumentam o sincretismo, o idealismo e o misticismo. O pensamento filosófico pode ser divido entre as seguintes correntes principais:


1) Epicurismo: defende a versão atomista do materialismo filosófico.
2) Estoicismo: impõe-se como visão predominante na sociedade romana durante alguns séculos.
3) Ceticismo: enriquece a sua argumentação em prol do princípio da dúvida.
4) Peripatetismo: exerce a sua influência no tratamento dos problemas tradicionais da Filosofia.
5) Neoplatonismo: defende os princípios teóricos e o espírito da Filosofia Clássica.


O neoplatonismo exercerá uma influência muito grande para a configuração da Filosofia posterior. Ele preconiza, também, o pensamento filosófico-religioso, que, em suas versões diversas (gnosticismo, apologética e alexandrismo), une ideias filosóficas antigas com os dogmas da religião cristã. Após o século 5º d.C., o pensamento filosófico entra em uma nova fase histórica: a época medieval.


O fenômeno de surgimento da Filosofia é um acontecimento que marca profundamente todo o desenvolvimento do pensamento Ocidental. Desde o seu nascimento, há cerca de 2500 anos, 25 séculos atrás, ela se mostrou um fenômeno não apenas genial, mas também justificado e, talvez, o mais importante fato de toda a nossa história Ocidental. Apesar de o seu desenvolvimento ao longo da história ser um fato inquestionável, cabe ressaltar que a sua aurora, talvez, seja o seu período mais esplêndido e, também, o mais complicado para se estudar, pois os livros e os "poemas" dos primeiros filósofos, em sua maioria, não chegaram até nós. O filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche, em seu livro A filosofia na idade trágica dos gregos, relata o fato de as obras desses filósofos não terem chegado até nós:

É uma grande desgraça que tenhamos conservado tão pouco destes primeiros mestres da filosofia e que só nos tenha chegado fragmentos. Por causa desta perda, aplicamo-lhes, involuntariamente, medidas erradas e somos injustos para com os antigos (NIETZSCHE, 1987, p. 24).


A Filosofia desses primeiros filósofos a que Nietzsche se refere confirma o surgimento de um tipo superior de homem. Tais filósofos são o espelho vivo da cultura grega, que é tão genuína quanto a sua Filosofia, a qual proporcionou aos gregos o título merecido de fundadores da cultura Ocidental.

O nascimento da Filosofia na Grécia Antiga criou um novo clima espiritual e cultural. Graças ao nascimento da Filosofia, os homens abandonaram o terreno do sobrenatural e, assim, superaram as formas de pensamento mitológico, iniciando uma nova forma de pensamento que reestruturou toda a nossa cultura: a política, os costumes, a ciência, a religião, as artes etc. Em outras palavras, praticamente todo o nosso modo de agir e de viver no mundo tem sua raiz na Grécia, e a Filosofia é aquilo que possibilitou à cultura grega se estender por tantos e tantos séculos. O desenvolvimento do pensamento filosófico antigo passou por quatro períodos principais: pré-socrático, clássico, helenístico e romano.





You Might Also Like

0 comentários