Leitura Digital 02 - Lógica e Dialética - Lógica Formal - Tema 1 - Artigo 1 - LÓGICA
- março 27, 2018
- By Ivan Sousa
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TEMA I
ARTIGO
1
A LÓGICA
Atingiu o homem a fase racional, quando seus pensamentos começaram
a se processar com certa ordem, quando pôde tirar conclusões, quando pôde
dirigi-los, transformando-os num poderoso instrumento de trabalho. Dessas
observações, já numa fase superior, concluiu finalmente que a regularidade nos
pensamentos lhe mostrava que uma ordem presidia aos mesmos, o que lhe permitiu construir
uma ciência dos pensamentos, ao descobrir relações, regras, constantes.
A esse conjunto de regras é que se chama lógica, ou
seja, a ciência dos pensamentos enquanto pensamentos, prescindindo dos outros
aspectos e dos outros elementos que se relacionam com eles, e que formam os objetos
de outras ciências.
O estudo da lógica é de imprescindível necessidade porque permite
a melhor aplicação do pensamento, evitando erros comuns. O leitor está lendo e
meditando sobre estas palavras e poderia pronunciar entre si esta frase:
"eu estou lendo este livro". Se analisarmos os elementos que compõem
ou que condicionam esta frase, observaremos, em primeiro lugar, o leitor que
pensa sobre este livro, em segundo lugar, o acto de pensar sobre a frase
pronunciada, facto que ocorre na mente do leitor e, em terceiro lugar, o pensamento,
a afirmação simples de que "eu estou lendo este livro".
Ocorrem ainda à percepção do leitor, que lê o livro, o
enunciado verbal da frase, e, finalmente, o objeto a que se refere o pensamento,
pois todo pensamento é pensamento de alguma coisa. Chamemos ao leitor de
sujeito, e de objeto ao que é referido pelo pensamento, e estamos em
face do dualismo que é essencial no campo la lógica.
Assim: sujeito — percepção ou pensamento — objeto
Os objetos são classificados de várias maneiras pelos
lógicos: temos objetos sensíveis ou reais, que são os oferecidos pela
experiência sensível, quer pela percepção externa ou pela percepção interna. Os
da percepção externa são denominados objetos físicos; e os da percepção
interna, objetos psíquicos.
Os objetos físicos são os factos corpóreos, que se
dão no tempo e no espaço.
Os objectos psíquicos são fatos da consciência. Um
desejo, uma representação, existem apenas no tempo, não no espaço, porque eles
não ocupam lugar, embora estejam relacionados a um ser consciente que possui um
corpo, como o homem, enquanto tal, o qual ocupa um lugar no espaço, como nos
revela o conceito de corpo.
São objetos ideais aqueles que não têm um lugar no
espaço nem no tempo, como, por exemplo, os números, as relações, os conceitos,
pois o de livro não tem uma dimensão nem uma idade. Assim, não se pode dizer
que o conceito de livro tenha um metro ou menos de um metro, nem um ano ou dois
de idade. Este modo de compreender os objetos ideais é o mais comum na
filosofia.
Podemos conceituar a idéia de livro, mas esse conceito é
sempre condicionado pelos livros que conhecemos ou que imaginamos. Há nesse
conceito reminiscências de nossas experiências que ainda oferecem certas
delimitações, pois se não podemos ter a idéia de cavalo ou a de livro,
determinadas no tempo e no espaço, essas idéias não podem ultrapassar certas
condições reais que conhecemos através dos exemplares que representam, em acto,
isto é, individualmente, tais objetos. Assim o conceito de cavalo não pode incluir
algo que lhe seja uma contradição, como um cavalo que não seja quadrúpede, etc.
Classificam ainda os lógicos outras espécies de objetos,
tais como os metafísicos e os valores. Os primeiros são
conhecidos através do raciocínio, ou por intuição intelectual ou pá-thica, como
se verá em "Ontologia e Cosmologia". Quanto aos valores são "qualidades"
de uma ordem especial, cujo estudo pertence à Axiologia (Ciência dos valores),
e são por nós estudados em "Filosofia Concreta dos Valores".




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