Leitura Digital 02 - Lógica e Dialética - Lógica Formal - Tema 1 - Artigo 1 - LÓGICA





TEMA I

ARTIGO 1

A LÓGICA

Atingiu o homem a fase racional, quando seus pensamentos começaram a se processar com certa ordem, quando pôde tirar conclusões, quando pôde dirigi-los, transformando-os num poderoso instrumento de trabalho. Dessas observações, já numa fase superior, concluiu finalmente que a regularidade nos pensamentos lhe mostrava que uma ordem presidia aos mesmos, o que lhe permitiu construir uma ciência dos pensamentos, ao descobrir relações, regras, constantes.
A esse conjunto de regras é que se chama lógica, ou seja, a ciência dos pensamentos enquanto pensamentos, prescindindo dos outros aspectos e dos outros elementos que se relacionam com eles, e que formam os objetos de outras ciências.
O estudo da lógica é de imprescindível necessidade porque permite a melhor aplicação do pensamento, evitando erros comuns. O leitor está lendo e meditando sobre estas palavras e poderia pronunciar entre si esta frase: "eu estou lendo este livro". Se analisarmos os elementos que compõem ou que condicionam esta frase, observaremos, em primeiro lugar, o leitor que pensa sobre este livro, em segundo lugar, o acto de pensar sobre a frase pronunciada, facto que ocorre na mente do leitor e, em terceiro lugar, o pensamento, a afirmação simples de que "eu estou lendo este livro".
Ocorrem ainda à percepção do leitor, que lê o livro, o enunciado verbal da frase, e, finalmente, o objeto a que se refere o pensamento, pois todo pensamento é pensamento de alguma coisa. Chamemos ao leitor de sujeito, e de objeto ao que é referido pelo pensamento, e estamos em face do dualismo que é essencial no campo la lógica.
Assim: sujeito — percepção ou pensamento — objeto
Os objetos são classificados de várias maneiras pelos lógicos: temos objetos sensíveis ou reais, que são os oferecidos pela experiência sensível, quer pela percepção externa ou pela percepção interna. Os da percepção externa são denominados objetos físicos; e os da percepção interna, objetos psíquicos.
Os objetos físicos são os factos corpóreos, que se dão no tempo e no espaço.
Os objectos psíquicos são fatos da consciência. Um desejo, uma representação, existem apenas no tempo, não no espaço, porque eles não ocupam lugar, embora estejam relacionados a um ser consciente que possui um corpo, como o homem, enquanto tal, o qual ocupa um lugar no espaço, como nos revela o conceito de corpo.
São objetos ideais aqueles que não têm um lugar no espaço nem no tempo, como, por exemplo, os números, as relações, os conceitos, pois o de livro não tem uma dimensão nem uma idade. Assim, não se pode dizer que o conceito de livro tenha um metro ou menos de um metro, nem um ano ou dois de idade. Este modo de compreender os objetos ideais é o mais comum na filosofia.
Podemos conceituar a idéia de livro, mas esse conceito é sempre condicionado pelos livros que conhecemos ou que imaginamos. Há nesse conceito reminiscências de nossas experiências que ainda oferecem certas delimitações, pois se não podemos ter a idéia de cavalo ou a de livro, determinadas no tempo e no espaço, essas idéias não podem ultrapassar certas condições reais que conhecemos através dos exemplares que representam, em acto, isto é, individualmente, tais objetos. Assim o conceito de cavalo não pode incluir algo que lhe seja uma contradição, como um cavalo que não seja quadrúpede, etc.

Classificam ainda os lógicos outras espécies de objetos, tais como os metafísicos e os valores. Os primeiros são conhecidos através do raciocínio, ou por intuição intelectual ou pá-thica, como se verá em "Ontologia e Cosmologia". Quanto aos valores são "qualidades" de uma ordem especial, cujo estudo pertence à Axiologia (Ciência dos valores), e são por nós estudados em "Filosofia Concreta dos Valores".

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